António Pires, 53 anos, apesar de ter nascido em Lisboa, passou toda a infância e adolescência entre Palmela e Setúbal, cidade onde vive.
É casado com Maria do Carmo e tem três filhos ainda estudantes. A Carolina, que terminou Ciências Farmacêuticas, a Sara que está a fazer o mestrado em Economia e o Alexandre, que estuda Design industrial.
É licenciado em Engenharia Mecânica no Ramo de Termodinâmica pelo IST e fez uma especialização em aeronáutica, na AFA.
Nos seus tempos livres pratica exercício físico, faz fotografia, dá passeios na natureza e gosta de visitar lugares históricos.

Qual foi o seu primeiro emprego?
Foi como professor do Ensino Secundário em Palmela, em plena crise de 1982.
Quando entrou para a Volkswagen Autoeuropa?
Entrei no dia 1 de Outubro de 1992, como Superintendente de Manutenção da Área de Prensas.
Qual a recordação mais forte dos primeiros empos na fábrica?
A lama nos sapatos depois da primeira visita ao local de construção das prensas. Depois disso, as amizades que foi possível construir com as acções de formação em Portugal e no estrangeiro, onde nos encontrávamos em grupos heterogéneos de chefias e de técnicos. Ainda hoje elas persistem.
Qual foi a progressão dentro da Volkswagen Autoeuropa?
Dentro da Área de Prensas e Carroçarias fiz praticamente de tudo. Até que em 1997 fui o primeiro português a substituir um Director de Área estrangeiro, Guy Martens.
Quando foi destacado pela 1ª vez?
De 2003 a 2005 estive em Pamplona como Director da Área de Carroçarias. Fui convidado no âmbito de um programa de troca de directores entre as duas fábricas. Na altura, Pamplona produzia 900 Polos por dia.
A maior atenção foi posta em cima da reorganização dos recursos humanos da Área com novas admissões de Especialistas e a redução de custos uma vez que esse era um grande problema da Área.
Qual foi o segundo destacamento?
Fui convidado por Jorg Mueller, actual presidente Volkswagen Índia, para assumir a posição de Director de Produção da fábrica de Anchieta no Brasil. Passado uma semana de lá ter chegado, o Director pediu demissão e passei a assumir as funções de Director de fábrica durante um ano. A fábrica tinha na altura 6500 colaboradores, produzia 7 modelos distintos e estava com bastantes problemas de produtividade e qualidade.
Nessa fábrica: que alterações implementou com sucesso?
A total reorganização da estrutura da fábrica, com foco no trabalho em equipa para o aumento da produção e da produtividade.
Houve ainda um terceiro destacamento...
Passado um ano fui convidado por Thomas Schmall, actual Presidente da Volkswagen
do Brasil para assumir a fábrica de Curitiba como Director. Mais uma vez, foi necessário proceder a um plano de reorganização para colocar a fábrica de volta nos trilhos. A fábrica passou de uma produção de 780 para 870 dia. Os níveis de qualidade subiram substancialmente, bem como o nível de motivação geral.
De volta à Volkswagen Autoeuropa... o que sentiu com o convite, ao fim de sete anos fora?
Foi uma grande satisfação, sobretudo por ver reconhecido o trabalho dos últimos anos.
Que imagem foi ganhando nestes anos relativamente à nossa fábrica aqui?
Dá para ver que a fábrica passou por grandes alterações desde que eu saí. Mas hoje a Volkswagen Autoeuropa é uma fábrica de referência não só a nível nacional mas também dentro do grupo Volkswagen. Temos um nome construído.
Já teve oportunidade de dar uma volta pela fábrica. O que achou de “diferente”? O que é que apreciou?
Conheço muita gente nesta fábrica com quem desenvolvi no passado uma relação muito próxima durante os anos que aqui trabalhamos juntos. Essas são pessoas que obviamente sinto muito prazer em rever. A fábrica é hoje bastante mais complexa e as pessoas bastante mais maduras e experientes.
Que tipo de gestão gostaria de fazer avançar aqui agora como Director-geral?
O tipo de gestão que tenho praticado desde sempre será aquele direccionado para as pessoas. Os colaboradores são a alma de uma empresa e como tal a obrigação primeira de qualquer gestor tem de ser para com as pessoas que aí trabalham. Depois é necessário reforçar a cultura de transparência fomentando a comunicação, a velocidade de decisão pela simplificação, a disciplina mas também a criatividade e a inovação bem como a qualidade em todos processos.
Que mensagens gostaria de passar para a equipa?
Que tenho plena confiança na capacidade profissional de todos eles e que precisamos de trabalhar como uma única equipa. A palavra de ordem será de renovação na continuidade. Uma boa ligação com o centro de decisão na Alemanha/Wolfsburg é fundamental.
Como primeiro Director-Geral Português, pensa que a nacionalidade é um handicap?
A Volkswagen é hoje um grupo internacional com executivos de muitas nacionalidades. Nunca me senti diminuído por ser português perante qualquer nacionalidade, antes pelo contrário, sempre me senti orgulhoso pelas minhas origens.
Um novo quarto produto é o maior anseio da nossa fábrica. Sente que temos hipóteses? O que falta fazer?
As hipóteses de conseguirmos mais volume têm de ser construídas. Precisamos de trabalhar de forma inteligente para minimizar as nossas desvantagens competitivas, como por exemplo o nosso custo logístico, optimizando transportes e
relocalizando fornecedores bem como usando todo o nosso potencial de inovação.