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Investigação inova na ergonomia

1.

João Rodrigues, doutorando de engenharia biomédica da FCT-NOVA.

Investigação inova na ergonomia

Texto Vânia Guerreiro

Fotografia Luis Viegas

O programa de estágios da Volkswagen Autoeuropa, em ligação com universidades nacionais, fomenta o desenvolvimento de projetos de investigação para encontrar as soluções mais inovadoras e sustentáveis nas áreas de ergonomia e demografia e com benefícios para os colaboradores.

7 min. leitura

Texto Vânia Guerreiro

Fotografia Luis Viegas

O programa de estágios da Volkswagen Autoeuropa, em ligação com universidades nacionais, fomenta o desenvolvimento de projetos de investigação para encontrar as soluções mais inovadoras e sustentáveis nas áreas de ergonomia e demografia e com benefícios para os colaboradores.

  1. Investigação inova na ergonomia

A

s organizações são constantemente desafiadas a adequar os seus modelos de gestão para conseguirem acrescentar valor ao seu negócio.

Estes desafios colocam-se em todas as áreas da dinâmica empresarial e, por vezes, o conhecimento disponível à data não permite identificar as possibilidades que oferecem melhores resultados. Nestas circunstâncias, estudar as hipóteses que se colocam com recurso ao método de investigação científica, oferece robustez aos processos de tomada de decisão.

Desde há alguns anos, a equipa de ergonomia tem celebrado acordos, com instituições do ensino superior e unidades de investigação, que têm trazido à empresa diferentes projetos.

Recentemente acolhemos dez projetos de investigação, em colaborações com a Faculdade de Motricidade Humana-Universidade de Lisboa (FMH-UL), a Faculdade de Ciências e Tecnologia – Universidade Nova de Lisboa (FCT-NOVA) e a Fraunhofer Portugal - AICOS.

Do conjunto dos projetos, seis dizem respeito a teses de doutoramento e quatro a teses de mestrado.

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Exo-esqueleto

Desde o início do mestrado, decidiu que a sua dissertação seria na área de ergonomia: «No último ano do curso, comecei a pesquisar sobre Indústria 4.0 até que através do programa Indústria 4.0 - COTEC Portugal, identifiquei a Volkswagen Autoeuropa. A indústria automóvel é um setor que sempre me despertou muito interesse, contactei a Volkswagen Autoeuropa demonstrando o meu interesse em realizar a minha dissertação na área de ergonomia e surgiu a oportunidade.», refere Gabriela Ferreira.

A complementaridade entre os projetos de investigação é uma oportunidade a explorar. É na colaboração entre doutorandos que as competências de todos se revelam determinantes nos resultados a atingir.

Carlos Fujão
Especialista de ergonomia

Esteve envolvida no projeto piloto de avaliação da usabilidade e intenção de uso do exo-esqueleto Skel-ex™ em vários postos de trabalho da produção. A utilização de exo-esqueletos nas áreas de produção das fábricas do grupo Volkswagen tem de obedecer a um conjunto de regras, entre as quais, o estudo da usabilidade e da intenção de uso e, desta forma, a equipa de ergonomia contou com o apoio da Gabriela para a realização deste projeto sendo que este é também o tema sobre o qual está a elaborar a sua tese de mestrado.

«Participar no projeto desde o início deu-me a oportunidade de conhecer todo o trabalho envolvente. Um dos principais desafios foi a análise dos resultados obtidos através das opiniões dos colaboradores nos questionários e juntamente com a equipa, indicar propostas de melhoria ao fabricante do exo-esqueleto, para possibilitar uma melhoria contínua do equipamento. É necessário analisar vários artigos sobre estudos realizados com exo-esqueletos e modelos de avaliação de usabilidade. Sendo este um equipamento muito recente no meio industrial a informação ainda é um pouco limitada.», revela.

Gabriela Ferreira considera que «é muito importante ter em consideração um dos princípios que o grupo Volkswagen estipulou para a utilização dos exo-esqueletos, segundo o qual este equipamento só deve ser referenciado para as estações em que depois de várias tentativas, não se conseguiram alterar as condições de realização de trabalho. O trabalho  desenvolvido permite constatar que ainda são necessárias adaptações para que a utilização do Skel-Ex™ nas linhas de produção da indústria automóvel possa recolher uma maior intenção de uso pelos colegas.

«Os resultados a que temos chegado têm tido muita relevância, tanto para suportar o processo de tomada de decisão da fábrica em relação à utilização deste tipo de equipamento como ao nível científico. Tivemos oportunidade de submeter dois artigos a eventos científicos - um nacional e outro internacional – e ambos foram aceites, o que me deixa muito satisfeita», refere a Gabriela.

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Nafiseh Mollaei, doutoranda em engenharia biomédica da FCT-NOVA.

 

 

A Volkswagen Autoeuropa integrou um consórcio de investigação que submeteu um projeto ao Programa PORTUGAL 2020, o qual foi aprovado. Este projeto propõe-se desenvolver, até 2023, ferramentas de avaliação da qualidade do trabalho e, designadamente, para a digitalização dos sete índices definidos pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (EUROFOUND) para este efeito.

João Rodrigues é outro dos doutorandos de Engenharia Biomédica da FCT-NOVA a desenvolver um projeto que procura melhorar a fiabilidade da análise ergonómica do trabalho. Até à data a equipa de ergonomia tem, entre outras, a responsabilidade de realizar a avaliação do risco em cada uma das estações de trabalho das linhas de produção. Este projeto visa o desenho de perfis individuais de exposição. Prevê-se o desenvolvimento de um sistema para, ao longo da carreira profissional na fábrica, registar o histórico de exposição individual aos fatores de risco biomecânicos.

Este projeto tem uma interdependência o da Nafiseh Mollaei, na medida em que os dados de exposição a utilizar serão os que resultam do processo de análise por medidas diretas em substituição dos dados subjetivos.