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Para além das emergências ou combate a incêndios

Para além das emergências ou combate a incêndios

Texto Vânia Guerreiro

Fotografia Luís Viegas

18 janeiro 2022

A 18 de janeiro de 1994 foi inaugurado o quartel dos bombeiros da Volkswagen Autoeuropa. Mais de trinta profissionais continuam a assegurar todos os dias do ano em regime 24/7, a proteção e apoio a emergências dentro da fábrica de Palmela. E nas suas folgas e férias do trabalho os membros desta equipa desempenham ainda serviço voluntário operacional em várias corporações de bombeiros da região de Setúbal.

Texto Vânia Guerreiro

Fotografia Luís Viegas

18 janeiro 2022

A 18 de janeiro de 1994 foi inaugurado o quartel dos bombeiros da Volkswagen Autoeuropa. Mais de trinta profissionais continuam a assegurar todos os dias do ano em regime 24/7, a proteção e apoio a emergências dentro da fábrica de Palmela. E nas suas folgas e férias do trabalho os membros desta equipa desempenham ainda serviço voluntário operacional em várias corporações de bombeiros da região de Setúbal.

  1. Para além das emergências ou combate a incêndios

Prevenção é pilar fundamental

Atualmente a equipa de proteção de incêndios é constituída por 37 elementos, divididos por cinco equipas da ACCIONA Facility Services, que é o prestador deste serviço. Entre as suas responsabilidades constam as regulares inspeções e testes operacionais a todos os equipamentos de deteção e combate a incêndios, a assistência a descargas e cargas de matérias perigosas, as autorizações de todos os trabalhos de manutenção que envolvam fogo nu (p.e. soldaduras ou cortes com retificadoras) e análises de segurança.

Para Immo Justingen, coordenador da equipa de segurança de fábrica e prevenção de incêndios, trabalhar numa cultura de prevenção partilhada por todos os que trabalham na empresa significa «trabalhar diariamente para que não existam ocorrências. Se acontecerem que haja uma rápida e eficaz resolução minimizando os impactos para pessoas e bens.»

Os equipamentos

Desde o simples aspersor de incêndio ao botão manual de emergência, a diversidade de equipamentos é grande. Todos os equipamentos estão conectados a um software centralizado de gestão de perigos que faz chagar à central de comunicações dos bombeiros qualquer sinal de avaria ou de alarme. Existem ainda dezenas de portas e portões corta fogo que desempenham um importante papel na proteção passiva e ativa na propagação de incêndios.

  • 97% de cobertura da rede de incêndios com 12/14bar de pressão inclui válvulas e hidrantes

  • 2.200 extintores

  • 1.200 sirenes

  • 19.400kg de CO2 só na pintura nos sistemas automáticos de CO2 para proteção das várias cabines

  • Mais de 920 detetores de incêndios ou de gases explosivos, instalados na fábrica

7 veículos

  • Veículo de salvamento de desencarceramento

  • Veículo ligeiro de combate a incêndios (primeira intervenção)

  • Veículo especial de combate a incêndios

  • 2 ambulâncias para assistência e transporte de pacientes no interior das instalações da fábrica

  • Veículo elétrico para apoio no transporte de material e realização de inspeções aos equipamentos

  • Carro de serviço para transporte de colaboradores que não necessitam ambulância, no trajeto departamento médico/ hospital/ departamento médico.

A rotina do quartel

Um turno de serviço no quartel de bombeiros nunca é rotineiro, ainda assim a reunião de informação e a verificação dos veículos são ações obrigatórias.

No início de cada turno é efetuada uma reunião onde é fornecida toda a informação aos elementos que iniciam o turno. São reportados os trabalhos a fogo em curso e nível de perigosidade, os constrangimentos nos acessos ou nos corredores interiores dos edifícios, os equipamentos de prevenção de incêndios que se encontram temporariamente fora de serviço, ocorrências dos turnos anteriores, entre outras informações de interesse. As verificações de listas de controlo são ações onde é comprovada a operacionalidade mecânica dos veículos, materiais e equipamentos de cada veículo.

Durante as 24h de cada dia, existem verificações de pressões de equipamentos. Na pintura, de 4 em 4 horas verifica-se a pressão de ar da rede de incêndios que protege as nove unidades de produção de ar da pintura e a cada 2 horas é verificada a pressão e quantidade de CO2 no interior dos tanques dos sistemas de CO2.

As inspeções mensais aos extintores, sistemas de deteção e combate a incêndios, as assistências a descargas de cisternas de matérias perigosas, a análise e autorizações de trabalhos a fogo nu, as rondas de verificação da manutenção das condições de segurança das instalações fazem também parte da rotina de um turno de trabalho.

Semanalmente, em conjunto com a segurança de fábrica, verificam-se todos os 23 equipamentos D.A.E. (Desfibrilhadores Automáticos Externos) instalados na fábrica.

Sempre que solicitado é dado apoio às áreas de produção e manutenção para evitar ou minimizar possíveis impactos à produção diária.

Joaquim Castro, coordenador da equipa de proteção de incêndios, destaca: «Igualmente importante é a formação interna. É uma rotina a cumprir sempre nos turnos em que não exista produção. E claro, não sendo rotina, nem sendo possível qualquer planeamento, as emergências têm prioridade sob qualquer tarefa que estejamos a desempenhar.».

9.
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Immo Justingen, coordenador de segurança de fábrica e prevenção de incêndios

Qual a importância do investimento na proteção de incêndios e segurança de fábrica?

A nossa fábrica produz veículos automóveis. É o negócio que assegura os nossos postos de trabalho. A equipa de proteção de incêndios e segurança de fábrica segue este princípio guia em mente todos os dias. E o nosso trabalho tem um desafio: um incêndio apagado ou um furto investigado e resolvido são tangíveis. É mais difícil contabilizar os incêndios evitados através de medidas de prevenção. Por isso, preparamos com muito rigor todos os investimentos. E na rede internacional de segurança do Grupo Volkswagen que reúne profissionais de todas as empresas em todo o mundo existe uma partilha contínua de conhecimento, boas práticas ou relatórios de ocorrências que nos permite manter um serviço de proteção atualizado e de excelência.

Que projetos especiais estão previstos para 2022?

Vamos investir na formação e capacitação dos bombeiros nas mais recentes estratégias operacionais que já são utilizadas no Grupo Volkswagen e na melhoria de vários equipamentos. Na segurança de fábrica estão planeadas melhorias no sistema CCTV.

Joaquim Castro, lidera a equipa desde 2015, mas está ao serviço como bombeiro desde 1992. Iniciou a sua carreira na Força Aérea Portuguesa e é bombeiro voluntário na corporação do Pinhal Novo.

«Embora não transpareça, estes 29 anos de experiência demonstraram-me a exigência física, psicológica e emocional. Ser bombeiro não passa só por emergências
médicas ou combate a incêndios. Há uma serie de atividades associadas à profissão que exigem uma disponibilidade quase total e um elevado e permanente nível de aprendizagem e treino.

Não tenho familiares bombeiros, nem sonhei ser bombeiro em criança. Descobri uma profissão exigente e permanentemente desafiadora, e isso seduz-me. Provar a mim mesmo que sou capaz de fazer, ou que pelo menos, tentei fazer.

E depois há o espírito de equipa. No seio dos bombeiros esse espirito é essencial, nos momentos bons e menos bons. É no seio da equipa que partilhamos as nossas «vitórias» e apoiamo-nos nos momentos mais difíceis da nossa vida profissional.», conta.

É na equipa que partilhamos as vitórias e os momentos mais difíceis.

Castro deixa ainda alguns conselhos de conduta no dia-a-dia que apoiam a atividade das equipas de socorro: «Em incêndios, acidentes e/ou outro tipo de ocorrências na via publica ou até mesmo na Volkswagen Autoeuropa, sempre nos debatemos pela segurança de todos. Ou seja, quando nos apercebemos que há um veículo de socorro em marcha de urgência devemos de facilitar a sua passagem – não atravessar a passadeira ou encostar o nosso veículo à berma e em segurança, por exemplo. Igualmente importante e de risco é a grande curiosidade que as ocorrências suscitam. Sendo a curiosidade um fator humano difícil de controlar, a área de uma operação de socorro é bastante perigosa por vários fatores. Tendo isso em linha de conta, afastem-se das áreas de ocorrência.»

Sobre o apoio que cada cidadão pode dar às corporações de bombeiros, Joaquim Castro recorda como é fácil ajudar: «As corporações de bombeiros voluntários, são criadas e mantidas por Associações Humanitárias de Bombeiros. O simples ato de nos tornarmos sócios da Associação Humanitária de Bombeiros da nossa área de residência já faz uma diferença positiva. Por outro lado, quem tem menos de 45 anos pode inscrever-se no corpo de bombeiros da sua área de residência e após a conclusão bem-sucedida do curso inicial de bombeiro, pode fazer parte de um grupo de mulheres e homens únicos e reconhecidos em todo o mundo.»